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Como administrar a vida financeira de maneira cristã

Escrever o presente texto foi para mim um grande desafio. Fui convidado a escrever uma reflexão sobre dicas para administrar a vida financeira de maneira cristã. Provavelmente, recebi o convite por ter formação em administração, e por isso pode parecer que eu conheço o assunto. Mas não é bem assim. Efetivamente, eu realmente não acredito que estou capacitado a dar dicas sobre qualquer assunto a qualquer pessoa. Geralmente, quando me pedem dicas, eu recuso, pois para aconselhar eu teria que ser, no mínimo, um bom exemplo. Mas nesse caso, era diferente. Diferente como?

Fosse o convite para dar dicas sobre como administrar a vida financeira, eu estaria fora. Mas tinha um detalhe: de maneira cristã. Aí a coisa mudou de figura. Certa vez, vi uma pessoa ser convidada para fazer uma oração pelo alimento, ao que ela prontamente aceitou, dizendo que este tipo de convite não se recusa. Então é isso, se o convite é para fazer a Obra do Senhor, a gente não recusa. Foi essa a lição que aquela ocasião me deixou. Enfim, continuo realmente achando que não estou capacitado a dar dicas sobre qualquer assunto a qualquer pessoa, mas se o Senhor me chamou por um convite, mãos à Obra!

No final das contas, o grande desafio ficou fácil. Recorri ao modo cristão de agir: o meu conhecimento é incompleto e precário, mas posso ser um instrumento de Deus e difundir os conselhos que sabiamente Ele nos dá. Bastou-me consultar o livro Conselhos Sobre Mordomia de Ellen White e estava tudo lá. Meu trabalho foi apenas selecionar os temas mais diretamente ligados à administração da vida financeira e sumarizá-los por meio dos parágrafos seguintes. São cinco tópicos que estão muito claros e se aplicam diretamente ao dia-a-dia do cristão: prioridade, acúmulo de patrimônio, investimentos, viver dentro das receitas, e avaliação do custo e economia.

Prioridade: Como tudo pertence a Deus e Ele permite que nós usufruamos de alguns bens materiais, a primeira coisa que devemos fazer quando recebemos algo é reservar a parte do Senhor e devolvê-la a Ele. Primeiro o dízimo, e então as ofertas proporcionais à prosperidade que temos em nossas vidas, pois é Ele quem nos permite tal prosperidade. Apenas depois é que nós devemos destinar os recursos que sobram às nossas necessidades e desejos. Do ponto de vista espiritual, ganhamos por exercitar a abnegação e com isso nos afastamos dos interesses mundanos e nos aproximamos de Deus. Sob um olhar mais pragmático, se sempre que recebermos algo, também apurarmos a parte de Deus e a entregarmos antes de fazer qualquer outra coisa, teremos uma forma regular e sistemática de conhecer nosso orçamento e planejarmos nossa vida financeira com prioridade adequada.

Acúmulo de Patrimônio: O assunto aqui é simples. Se acumularmos patrimônio, que seja da forma que Deus aprove. Como os bens são d'Ele, e não nossos, devemos usá-los somente para Sua Glória. Se pegarmos tudo que pudermos em forma de salários e patrimônios, sem critérios, corremos o risco de desonrar ao Senhor. Devemos conduzir nossos negócios de forma íntegra, honesta, sem fraudes, e com pureza em cada transação. Também devemos negociar de forma altruísta. Nosso enfoque não deve ser o acúmulo de bens materiais e efêmeros, pois, afinal de contas, por enquanto, estamos apenas de passagem. O real acúmulo que devemos cultivar é o das seguintes riquezas: o Céu e a Vida Eterna. Mesmo que nossa natureza não nos leve a agir dessa forma, se refletirmos bem é o que faz mais sentido.

Investimentos: Investimentos, ao contrário de despesas, são produtivos, pois visam à prosperidade e geração de riquezas, e não se findam em si mesmos. E o cristão, evidentemente, pode realizar investimentos em sua vida financeira. O que temos que ter em mente é que os investimentos devem ser sensatos. Muitas vezes nos deparamos com propostas de investimentos oportunistas e especulativos que parecem nos seduzir. Mas essas situações não combinam com a doutrina do cristão, pois valorizam o imediatismo e o bem-estar material e terreno, em detrimento às conquistas de longo-prazo ou mesmo aos desafios que sabemos que podem nos fortalecer, mesmo que exijam sacrifício e paciência. Ademais, alguns investimentos são incertos, e o que é obscuro não deve agradar ao cristão.

Viver dentro das Receitas: É importante nos educarmos para mantermos nossos gastos nos limites de nossas entradas. Não respeitar tal princípio pode nos deixar endividados, e muitas vezes, como conseqüência, desesperados. Aqui, cito até um trecho do livro Conselhos Sobre Mordomia (p. 249, a edição que consulto é a de 1998, em português, editada pela Casa Publicadora Brasileira): "Muitos... descuidadamente gastam dinheiro em divertimentos dos feriados, em roupas e tolices... ou até mesmo já estouraram sua conta". Enfim, creio que a mensagem não é para pararmos de nos divertir ou hostilizarmos o lazer, mas para não gastarmos mais do que podemos. Há riscos envolvidos nisso, como o de negligenciarmos os dízimos e as ofertas, ou o de colocarmos as necessidades básicas de nossas famílias em cheque. Enfim, podemos ter aí um problema grave em relação ao que estamos priorizando, e conseqüentemente com a nossa vida espiritual.

O endividamento não é saudável, pois "Deus não quer que Sua obra esteja embaraçada com dívidas" (p. 266). Mais uma vez, os conselhos são muito atuais e convergentes com o conhecimento técnico produzido por especialistas, pois vemos por aí, nos dias de hoje, inúmeros manuais e programas nos meios de comunicação sobre finanças pessoais, que nos orientam para o planejamento financeiro regrado baseado em prioridades e no respeito ao orçamento disponível.

Avaliação do Custo e Economia: Especial reflexão deve ser feita acerca dos gastos extravagantes, muitas vezes associados a quantias aparentemente pequenas. Neste momento, temos o privilégio de pensar nos ensinamentos e no exemplo de Jesus. Isso porque o conselho é pensar nas almas por quem Ele morreu. Assim, morrem também o egoísmo e o orgulho. Ao abrirmos mão de dispêndios sofisticados e egoístas e oferecermos dádivas aos necessitados, estaremos mais próximos de viver como viveu nosso Mestre. É justamente esse o princípio da mordomia cristã. Não podemos perder centavos e notas para o egoísmo e a comodidade, devemos destiná-los para que almas sejam agregadas à fé cristã e honrarmos o sacrifício de Cristo. Em suma, a lição aqui é nos tornarmos sócios de Deus, lembrando-nos de que o custo de nossos desperdícios é muito alto, foi a Vida de Seu Filho!

Enfim, após estudar os assuntos aqui apresentados, posso dizer que aprendi muito e gostaria de compartilhar estas lições com todos vocês. Como escrevi antes, não me considero exemplo para ninguém, e de fato, ao redigir o texto, tomei conhecimento de muitos erros que venho cometendo e agradeço a Deus por tê-los mostrado a mim. Se você também aprendeu com essa leitura, fico feliz por ter participado deste aprendizado. Vamos terminar com o versículo que foi usado por Ellen White como epígrafe para o livro consultado:
"Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra." II Cor. 9:8.
Fiquem com Deus!

Por Felipe Zambaldi

Fonte: Igreja Adventista do Sétimo Dia Moema

 

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