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Em tempos de crise, cresce o número de evangélicos na França

A cada dez dias uma nova igreja evangélica abre as portas no país europeu. Ao som de bateria e teclado, quatro cantores dão o tom do culto na igreja, enquanto são acompanhados fervorosamente por fiéis que, com os braços erguidos, dançam e repetem as letras mostradas em um telão. A cena, comum para a maioria dos brasileiros, é novidade na França, que viu a fé neopentecostal crescer nos últimos anos, impulsionada pela crise econômica.


De acordo com dados do Conselho Nacional dos Evangélicos da França (CNEF) ) a cada dez dias uma nova igreja evangélica abre as portas e essa é a corrente religiosa que mais se expande no país e a com o maior número de praticantes.

 

"A primeira razão é simplesmente a necessidade de esperança", opina Sébastien Fath, sociólogo das religiões especializado no protestantismo e autor de Do gueto à rede - O protestantismo evangélico na França e do recém lançado Nova França Protestante - Desenvolvimento e crescimento no século XXI.


O contexto de crise, que atinge a sociedade francesa, tem por consequência um certo número de patologias sociais, como a solidão. O Estado não pode fazer tudo, as prestações sociais e capacidades de intervenção são em geral fragilizadas, pois há menos dinheiro público. A igreja evangélica responde às necessidade que o Estado não se encarrega mais", avalia o sociólogo, que enfatiza o caráter otimista do discurso evangélico, em um país onde o pessimismo é grande.


Embora o sociólogo defenda que haja fiéis também nas classes mais favorecidas, ele admite que a religião vem atraindo proporcionalmente mais jovens e imigrantes, principalmente chineses, coreanos e originários das antigas colônias francesas na África. Em dezembro, 24,2 % dos jovens estavam desempregados.


"Muitos franceses estão desencorajados diante da crise e da globalização. Há uma certa depressão e uma necessidade de perspectiva," diz Fath. Já para Étienne L'Hermenault, batista e presidente do CNEF, órgão criado há menos de dois anos, o sucesso das igrejas evangélicas é reflexo de uma sede por religiosidade. "A crise não é simplesmente financeira, mas também moral. Há um cansaço, de uma sociedade que perdeu muitas referências e que busca valores", argumenta.


Fonte: InforGospel.

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